No âmbito da X edição das Jornadas Parlamentares Atlânticas, o Presidente do Grupo de Trabalho n.º 1 (Canárias), Hérnandez Sánchez, apresentou um conjunto de conclusões e recomendações estratégicas com vista ao reforço da cooperação e da afirmação internacional da Macaronésia. Entre as principais propostas, destaca-se a criação de um Comité das Regiões da Macaronésia, enquanto órgão permanente de coordenação política e representação conjunta, bem como a afirmação da Macaronésia como uma única região atlântica, reforçando a sua segurança, identidade, peso político e relevância geoestratégica.
As conclusões apontam ainda para o desenvolvimento de uma estratégia de especialização inteligente, assente na sustentabilidade, inovação, ciência, digitalização, inteligência artificial e energias renováveis, assim como para a defesa de uma aplicação reforçada do artigo 349.º do Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia, garantindo instrumentos financeiros adequados e o acesso direto aos fundos do quadro financeiro plurianual.
Hérnandez Sánchez sublinhou igualmente a importância de aprofundar a diplomacia atlântica, reforçar a conectividade digital, aérea e marítima, implementar políticas conjuntas de demografia e migração, promover a formação e mobilidade laboral qualificada e fortalecer as políticas de igualdade de género.
Por fim, foi proposta a consolidação das parcerias com países terceiros, o reforço da cooperação com a União Africana, assumindo Cabo Verde como interlocutor estratégico, e o lançamento da marca “Macaronésia Atlântica” como selo internacional de sustentabilidade, qualidade e cooperação.
Na apresentação das conclusões do 2º Grupo de Trabalho (Madeira), Bruno Melim salientou que, entre as principais recomendações, constam o fortalecimento dos instrumentos de financiamento e cooperação financeira dedicados à economia azul, a criação de plataformas atlânticas de investigação científica e a partilha de boas práticas legislativas para a exploração sustentável dos recursos marinhos. O presidente do grupo
defendeu ainda a participação ativa da Macaronésia nas negociações de acordos comerciais, com medidas específicas de apoio às economias insulares.
As conclusões apresentadas sublinharam a necessidade de potenciar as mobilidades aérea e marítima, reforçar a conectividade digital e criar mecanismos europeus que reduzam os sobrecustos do transporte, assegurando a continuidade territorial entre o continente europeu, as regiões ultraperiféricas e Estados insulares como Cabo Verde.
Bruno Melim destacou a importância de apoiar a transição para um turismo sustentável, resiliente e inclusivo, investir na formação, educação e emprego qualificado, bem como reforçar o setor primário, através de apoio à agricultura, pescas e aquacultura, promovendo a sustentabilidade ambiental e a autonomia alimentar.
Por fim, ressalvou que o Grupo de Trabalho n.º 2 conclui que é preciso aprofundar a cooperação entre regiões insulares e os Estados parceiros, mobilizar recursos europeus para a modernização das cadeias de valor regionais e reforçar a competitividade dos territórios atlânticos, como condição essencial para um desenvolvimento equilibrado e resiliente da Macaronésia.