No âmbito da X Jornadas Parlamentares Atlânticas, a Presidente do Grupo de Trabalho n.º 3 (Cabo Verde), Mircea Delgado, apresentou conclusões centradas na proteção ambiental, transição energética, governação do oceano e ordenamento do território na Macaronésia.
No
domínio da proteção ambiental e biodiversidade, Mircea Delgado afirmou que a
conservação da biodiversidade é um eixo central das políticas públicas,
reforçando a cooperação multilateral, a investigação científica conjunta e a
criação de mecanismos de compensação para os impactos das áreas protegidas. As
regiões insulares foram ainda destacadas como laboratórios vivos para a
monitorização costeira, restauro de ‘habitats’ e literacia do oceano.
Quanto
à prevenção de riscos e redução da vulnerabilidade, a Presidente do grupo
sublinhou a necessidade de uma ‘agenda verde’ adaptada às especificidades
insulares, com reforço do financiamento para a transição energética, aposta nas
energias renováveis, comunidades energéticas locais e aprofundamento da
parceria entre Cabo Verde e a União Europeia, nomeadamente no domínio da resiliência
hídrica e energética.
No
que respeita à governação do mar e dos oceanos, as conclusões do grupo 3 apontam
para uma gestão integrada e sem fronteiras, a participação ativa dos
territórios insulares na implementação do tratado sobre biodiversidade além da
jurisdição nacional, o reforço da vigilância marítima e o combate à pesca
ilegal, pirataria e tráfico ilícito, promovendo simultaneamente uma economia
azul sustentável.
Por
fim, no eixo do planeamento e ordenamento do território, Mircea Delgado frisou
a necessidade de reforçar a cooperação multinível, criar instrumentos
financeiros adaptados às regiões ultraperiféricas, investir em centros de
excelência regionais, harmonizar as estratégias territoriais com os planos
nacionais de energia e clima e promover infraestruturas resilientes e
construção sustentável.
Por
outro lado, o foco central do Grupo de Trabalho n.º 4 (Açores) incidiu sobre temas
ligados a educação, cultura e bem-Estar Social. João Bruto Costa, presidente do
referido grupo de trabalho, apresentou as conclusões centradas na valorização
do capital humano, da inclusão social e da identidade cultural das regiões
insulares da Macaronésia.
O
presidente do grupo destacou que, apesar das vulnerabilidades associadas à
condição ultraperiférica, os territórios atlânticos dispõem de elevados níveis
de resiliência, criatividade e pertença, defendendo a necessidade de
transformar a diversidade cultural e a dispersão geográfica em coesão política
e cooperação regional.
No
domínio da educação, o grupo propôs a criação de uma rede educativa atlântica,
promovendo a mobilidade estudantil e a cooperação entre instituições de ensino.
Em matéria de cidadania e inclusão, foram apontadas medidas de apoio aos
imigrantes, inclusão de pessoas com deficiência e reforço dos serviços públicos
digitais, visando uma participação plena de todas as populações.
As
conclusões apresentadas por João Bruto Costa sublinharam a importância do
combate à violência baseada no género, do incentivo ao empreendedorismo e à
liderança feminina, bem como a implementação de políticas integradas de
prevenção das dependências e das novas substâncias.
Relativamente à habitação e comunidades sustentáveis, foi defendida a eventual criação de um fundo atlântico para a habitação insular, envolvendo governos regionais, nacionais, europeus e instituições internacionais. Por fim, a identidade e a cultura insular foram reconhecidas como fatores de coesão, com a proposta de criação de uma rede cultural atlântica e de um museu digital atlântico, promovendo o intercâmbio artístico entre os arquipélagos.