
A Assembleia Nacional de Cabo Verde acolheu, na tarde de terça-feira, 06 de janeiro de 2026, na Sala do Plenário, a Conferência Internacional sobre Multilateralismo, Diplomacia Parlamentar e Cooperação Global, uma iniciativa promovida em parceria com a Embaixada da República Popular da China em Cabo Verde. O encontro reuniu deputados nacionais, representantes do corpo diplomático acreditado no país, académicos, especialistas nacionais e internacionais, bem como membros da sociedade civil, num momento de reflexão aprofundada sobre os desafios contemporâneos das relações internacionais.
Os oradores foram Fernando Jorge Wahnon, Embaixador, Margarida Fontes, Jornalista, e Aristides Lima, ex-Presidente da Assembleia Nacional e atual Juiz-Conselheiro do Tribunal Constitucional. Inserida no quadro da política externa cabo-verdiana, assente no não-alinhamento, no multilateralismo e na cooperação internacional, a conferência procurou reforçar o papel do Parlamento enquanto espaço privilegiado de diálogo político, de construção de consensos e de promoção de soluções partilhadas para os desafios globais, num contexto internacional marcado por instabilidade, tensões geopolíticas e profundas transformações no sistema internacional.
Na sua intervenção, o Embaixador da República Popular da China em Cabo Verde, Zhang Yang, sublinhou que o mundo atravessa um período de turbulências e mudanças sem precedentes, com impactos significativos no funcionamento do sistema das Nações Unidas e na própria arquitetura do multilateralismo. O diplomata alertou para o crescimento do hegemonismo, da política de poder e de práticas de intimidação nas relações internacionais, ao mesmo tempo que salientou o agravamento dos défices em matéria de paz e segurança globais.
No plano bilateral, o Embaixador evidenciou a amizade inquebrável construída ao longo de cinquenta anos de relações diplomáticas entre a China e Cabo Verde, salientando que esta parceria estratégica possui um elevado potencial de aprofundamento. Segundo afirmou, a cooperação entre os dois países ultrapassa já a dimensão estritamente bilateral, assumindo uma projeção mais ampla no contexto internacional, com potencial para se afirmar como referência no continente africano. A concluir, propôs um novo paradigma de cooperação internacional orientado para a promoção do progresso com estabilidade e para a construção conjunta de um sistema de governança global mais equilibrado.
Por sua vez, o Vice-Presidente da Assembleia Nacional de Cabo Verde, Emanuel Barbosa, enfatizou, no seu discurso, o papel central do diálogo e da cooperação no contexto do multilateralismo contemporâneo. Sublinhou que o multilateralismo constitui um pilar fundamental das relações internacionais, funcionando como a gramática que permite reunir Estados, independentemente da sua dimensão ou poder, em torno da mesma mesa de diálogo e de concertação. Segundo o Vice-Presidente da ANCV, o atual contexto internacional, marcado por conflitos, tensões e incertezas, demonstra que o multilateralismo continua a ser uma aposta segura para a garantia da previsibilidade, da estabilidade e da proteção dos interesses comuns.
No caso específico de Cabo Verde, destacou o papel do país enquanto ponte de culturas, rotas e interesses, num mundo que convoca os parlamentos a promover a união, a partilha de experiências legislativas e a criação de canais de confiança entre os povos. Relativamente à cooperação sino-cabo-verdiana, Emanuel Barbosa salientou que esta relação bilateral se caracteriza pela memória, pela continuidade e por uma expressão concreta em diversos domínios, refletindo um compromisso sustentado ao longo do tempo. Na parte final da sua intervenção, realçou que os parlamentos são atores relevantes da política externa, não apenas na fiscalização democrática, mas também na produção normativa, sublinhando que a diplomacia parlamentar se afirma hoje como um instrumento essencial da ação política contemporânea.
A conferência reafirmou, assim, o compromisso da Assembleia Nacional de Cabo Verde com a promoção do multilateralismo, do diálogo interparlamentar e da cooperação internacional, num momento em que o reforço das instituições multilaterais e da diplomacia parlamentar se revela determinante para a construção de uma ordem internacional mais justa, pacífica e solidária.