A Comissão Especializada de Assuntos Constitucionais, Direitos Humanos, Segurança e Reforma do Estado reuniu-se, hoje, para a aprovação na especialidade da Proposta de Lei que estabelece medidas de natureza preventiva e repressiva de combate à lavagem de capitais, ao financiamento do terrorismo e ao financiamento da proliferação de armas de destruição em massa. Contudo, nem todos os artigos foram ainda aprovados, devendo os trabalhos prosseguir numa nova reunião agendada para amanhã.
Em
declarações à imprensa, a Ministra da Justiça, Joana Rosa, explicou que a
iniciativa legislativa visa atualizar o quadro legal interno, em conformidade
com as recomendações resultantes da avaliação internacional realizada em 2019
pelo Grupo de Ação Financeira Internacional (GAFI). Segundo referiu, essas
recomendações apontaram para a necessidade de reforçar os mecanismos de
prevenção e controlo, de forma a proteger o sistema financeiro nacional e
evitar práticas que possam comprometer a economia do país.
De
acordo com a ministra, o diploma propõe a criação de um modelo mais eficaz de
acompanhamento e vigilância do sistema financeiro, tendo em conta a crescente
atratividade de Cabo Verde para o investimento externo. Neste sentido,
sublinhou a importância de assegurar maior transparência nas transações
financeiras, bem como a rastreabilidade dos fluxos de capitais que entram e
saem do país.
Durante
a entrevista à imprensa salientou que um dos aspetos centrais da proposta é a
criação de um sistema de identificação e registo de beneficiários efetivos,
abrangendo titulares de cargos políticos, gestores públicos e responsáveis
empresariais. Este mecanismo permitirá, segundo a Ministra, aferir a origem das
riquezas, reforçar o combate à corrupção e promover um ambiente institucional
mais transparente e credível.
Joana
Rosa reconheceu ainda que a avaliação de 2019 evidenciou fragilidades no
sistema nacional, razão pela qual o Governo tem vindo a trabalhar no reforço do
quadro legal e na implementação de mecanismos de controlo mais rigorosos. Entre
as medidas previstas, destaca-se a obrigatoriedade de prestação de informações
por parte dos abrangidos, sendo que o incumprimento poderá dar lugar a sanções.
Relativamente
à questão da proliferação de armas, a Ministra referiu que, apesar de Cabo
Verde ser considerado um país de baixo risco em matéria de terrorismo, existem
desafios associados ao contexto regional, o que justifica a adoção de medidas
preventivas adicionais como o acompanhamento mais rigoroso das cargas e fluxos
de mercadorias. Assegurou que o país dispõe de mecanismos de fiscalização nos
principais pontos de entrada, como portos e aeroportos. Sublinhou, no entanto,
que o reforço contínuo destes instrumentos, aliado a uma maior articulação
entre as autoridades nacionais e internacionais, é essencial para prevenir e
combater práticas ilícitas.
A proposta de lei visa, assim, consolidar um sistema mais transparente, eficaz e alinhado com os padrões internacionais, contribuindo para o reforço da credibilidade do país.