O Plenário da Assembleia Nacional aprovou, hoje, o voto de pesar pelo falecimento de Amélia Araújo, antiga combatente da liberdade e radialista durante a luta pela independência de Cabo Verde e Guiné-Bissau. A combatente foi recordada pela sua coragem, seu rigor, sua clareza e sua responsabilidade histórica.
O voto de pesar foi apresentado pela deputada do PAICV, Carla Lima, que descreveu Amélia Araújo como uma das vozes mais firmes, lúcidas e corajosas da luta de libertação. Por meio da Rádio Libertação, a malograda usou a sua voz em emissões de programas como ‘Comunicado de Guerra’ e o ‘Programa do Soldado Português’ para mobilizar consciências, esclarecer posições e motivar os combatentes e o povo. Os programas moldaram a mente dos ouvintes e construíram um sentimento de luta e legitimidade nos cabo-verdianos e guineenses.
“Amélia exerceu essa centralidade com rigor, clareza e responsabilidade histórica, fazendo da comunicação uma verdadeira frente de combate e um instrumento de construção política [….] Como recordou Luís Fonseca- Amélia Araújo era portadora da mensagem que animava, relatando os avanços da luta na Guiné e encorajando-nos a prosseguir o combate com redobrada determinação”, sublinhou Carla Lima. A deputada considera que a perda física de Amélia Araújo representa a partida de uma geração que colocou a independência como uma convicção profunda e o dever coletivo.
O Líder Parlamentar do PAICV, Clóvis Silva lamentou a morte de Amélia Araújo e dos outros combatentes da liberdade, ressalvando que a geração “ligou o país à memória histórica que tem com a Guiné-Bissau e a Angola”. Para o deputado, esta homenagem é justa e deve ser feita a pessoas como Amélia Araújo que entregaram a sua juventude a uma causa comum, a libertação nacional.
A deputada da UCID, Dora Pires realçou que o papel da mulher deve ser reconhecido e que a história precisa ser reescrita. “A nossa história invisibilizou as mulheres que participaram da luta de libertação. É hora de repor a verdade e torná-las conhecidas”, pontuou a eleita parlamentar, que falou da honra de visitar o museu onde Amélia Araújo trabalhou, aquando da sua visita a Guiné-Bissau.
Por sua vez, o Grupo Parlamentar do MpD endereçou os pêsames aos familiares, amigos e conhecidos. O deputado Aniceto Barbosa desejou um eterno descanso para Amélia Araújo.
Amélia Sanches Araújo nasceu em 1933, em Luanda, e iniciou o seu envolvimento político em 1961 como militante do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC). A malograda foi professora na Escola Piloto do PAIGC e exerceu funções públicas no Ministério dos Negócios Estrangeiros e na Cooperação Austríaca.