À margem da entrevista concedida à Televisão de Cabo Verde, o Presidente da Assembleia Nacional, Austelino Tavares Correia, afirmou encerrar a X Legislatura com a “consciência tranquilíssima”, sublinhando que o seu mandato foi pautado pela “transparência, pelo respeito à diferença dos diversos sujeitos parlamentares e pelo diálogo aberto, franco e sincero com todos os sujeitos parlamentares”. Segundo o Presidente, essa postura permitiu-lhe “granjear uma certa confiança” dos parlamentares. “Recebi mais colaboração do que entraves”, destacou, acrescentando que, apesar dos desafios enfrentados, conseguiu desempenhar o papel de conciliador, promovendo entendimentos entre as diferentes partes políticas sem interferir na vida interna dos partidos.
Durante
a entrevista, Austelino Tavares Correia fez um balanço amplamente positivo da
legislatura, considerando que as principais metas definidas para o período
foram alcançadas. Entre os resultados destacados figuram o reforço da imagem
institucional do Parlamento, a aproximação da Assembleia Nacional aos cidadãos
e o fortalecimento das suas funções constitucionais de representação,
legislação, orientação e fiscalização política do Governo, ou seja, um
Parlamento que, de facto, exerce o mandato representativo. “Considero que foi
um mandato bastante positivo. Considero que 90% daquilo que eu propus levar
avante eu consegui, graças a todos os senhores deputados, a todo o pessoal
da Assembleia Nacional, que colaborou comigo durante esses 5 anos”, afirmou.
O
Presidente destacou, igualmente, os avanços registados no domínio da diplomacia
parlamentar e os esforços desenvolvidos no âmbito da reforma do Parlamento.
Segundo explicou, foram criadas todas as condições necessárias para a
implementação desse processo, começando pela constituição da Comissão Eventual
para a Reforma do Parlamento, à qual foram assegurados os meios logísticos,
organizacionais e técnicos indispensáveis ao exercício das suas funções.
Nesse
contexto, foi ainda promovida, em articulação com a Comissão da Reforma e os
grupos parlamentares, a contratação de quatro consultores jurídicos para apoiar
os trabalhos. Como resultado, a Comissão produziu seis instrumentos
fundamentais para a modernização da instituição: a Proposta de Lei Orgânica da
Assembleia Nacional, o novo Regimento da Assembleia Nacional, o Estatuto dos
Funcionários Parlamentares, o Estatuto dos Titulares de Cargos Políticos, o
Regulamento da Comissão de Ética e Transparência Parlamentar e o Código de
Conduta dos Deputados à Assembleia Nacional.
Austelino
Tavares Correia explicou que a nova Lei Orgânica da Assembleia Nacional visava
dotar o Parlamento cabo-verdiano de maior dinamismo, capacidade técnica e
recursos adequados aos desafios contemporâneos. Entre as principais inovações
previstas estavam a criação de estruturas especializadas, como um Gabinete
Jurídico, um Gabinete de Comunicação e um serviço de apoio técnico destinado à
análise das contas públicas e do Orçamento do Estado, instrumentos considerados
essenciais para reforçar a capacidade de intervenção dos deputados.
Ao
abordar alguns dos momentos do seu mandato, o Presidente referiu os casos
envolvendo o deputado Amadeu Oliveira e um funcionário da Assembleia Nacional,
que realizou uma greve de fome. Considerou que todas essas situações
constituíram verdadeiros “testes” ao exercício das suas funções, sublinhando que
“não tentou prejudicar ninguém” e que procurou agir sempre dentro dos limites
das competências que lhe são atribuídas pela Constituição da República e pelo
Regimento da Assembleia Nacional.
Sobre
o futuro, Austelino Tavares Correia assegurou que deixa a presidência da
Assembleia Nacional com serenidade e tranquilidade, regressando às funções de
deputado, cargo para o qual foi eleito pelo povo. “Vou ocupar o meu lugar na
bancada e continuar a fazer o meu trabalho”, declarou.
O
Presidente da Assembleia Nacional concluiu, afirmando que toda a experiência
acumulada ao longo dos últimos anos, em particular no exercício da presidência
do Parlamento, continuará a ser colocada ao serviço da instituição, do país e
da nova Mesa da Assembleia Nacional. “Não vou ficar aqui na Assembleia para
fazer oposição à Mesa ou criar problemas ao seu funcionamento”, concluiu
Austelino Tavares Correia.
Os
trabalhos da próxima legislatura se iniciam no dia 18 de Junho, culminando com
o encerramento de um ciclo e a abertura de um novo capítulo na política
cabo-verdiana.